Artesanato cresce como atividade econômica para agricultura familiar

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{ 07/12/2011 }


O artesanato é uma atividade milenar que nasceu junto da necessidade de o homem produzir bens que fossem úteis ao seu dia a dia. As primeiras criações artesanais surgiram quando o homem deu início ao polimento da pedra para fabricar cerâmicas e tecer fibras animais e vegetais.

No Brasil esse trabalho tornou-se conhecido após o contato com os índios, que se utilizavam da pintura com tintas extraídas de pigmentos naturais e plumas das aves para confeccionar seus vestuários e cocares. Ano após anos os trabalhos foram se aprimorando e muitos dos produtos confeccionados tornaram-se cada vez mais úteis para a sociedade.

Com o advento da revolução industrial, que trouxe máquinas muito mais rápidas e fabricação em série, o artesanato perdeu espaço, mas nunca deixou de existir. Mais adiante passou a ser referência do movimento hippie, que confeccionava peças de adorno e comercializava, na informalidade, para prover o seu sustento; depois se transformaram em lembrancinhas feitas para turistas, como forma de geração de renda para famílias de baixo poder aquisitivo; e chegou às casas das famílias da alta sociedade, confeccionados em lojas de requintes.

Hoje o artesanato é tudo isso e mais um pouco. Com feiras espalhadas em todos os lugares, a produção artesanal movimenta uma grande parcela da economia brasileira. No perímetro urbano é possível encontrar esses produtos em feiras de praças públicas, lojas especializadas e, praticamente, em shoppings Center de todas as cidades. Mas é no meio rural que o artesanato vem ganhando cada vez mais espaço.

Muitas mulheres, agricultoras ou não, que vivem no campo, estão se dedicando a confeccionar artigos artesanais com o intuito de aumentar a renda da sua família. É o que contam as mulheres que integram o grupo Porto Art durante exposição realizada na sede da Emater Central, em Porto Velho.

O Porto Art é um grupo de oito mulheres do distrito de Porto Verde, em Porto Velho, que buscam hoje a sua independência financeira através do artesanato. Muitas delas ainda têm seus empregos na formalidade, mas grande parte da renda da família já vem da comercialização de seus produtos.

Maria Auxiliadora de Lima Barreto começou a trabalhar com flores em tecidos e outros materiais cerca de um ano. Morando a 16 anos em Porto Verde, observava os trabalhos artesanais nas viagens que fazia fora do Estado, quando resolveu aprender. Segundo ela a atividade lhe dá uma renda de 500 a 600 reais por semana, se ela se dedicar à venda. “Atualmente tenho um emprego fixo, assalariado, e o artesanato é uma atividade paralela, mas, quando me aposentar, quero me dedicar mais, diz”.

Lucro e terapia
Além da renda extra o trabalho artesanal é uma terapia. Cláudia Valiente trabalha com bordados e pintura em tecidos, há nove anos. Iniciou a atividade pelo prazer e como forma de relaxar. “Se eu não fizer isso eu fico estressada", conta. Cláudia diz que hoje, 50% de sua renda mensal vêm das vendas com a atividade.

Maria Clara Leão Nogueira é agricultora e trabalha com costura há cinco anos. As atividades da propriedade rural ficam por conta do marido, que vende o leite e produz queijo. Já, o artesanato é o que faz a alegria de Clara. “Quando me mudei para o sítio ficava meio que sem ter o que fazer, até conheci as meninas da Emater. Com elas comecei a me relacionar com outras pessoas da comunidade e aprendi muita coisa”, explica. A agricultora diz ainda que seu atual trabalho com a costura lhe rende cerca de mil reais mensais, mas ela pretende ampliar seus conhecimentos e se dedicar mais à sua atividade manual.

Entre artefatos de tecido, madeira e resíduos da natureza, a fabricação de alimentos ganha destaque. Maria da Conceição Miranda de Oliveira fabrica salgados, doces, biscoitos e licores há mais de 10 anos. É assalariada e vende salgados nos finais de semana. Maria diz que, como adora cozinha, iniciou a atividade para ajudar na renda familiar. Hoje, segundo ela, mais de 50% de sua renda vem das vendas dos salgados.

Com o apoio da equipe do escritório da Emater em Porto Verde, o grupo expôs seus produtos em uma feira de artesanato pela primeira vez. Instalaram-se, por três dias, na sede central da Emater e, segundo elas, “foi muito produtivo, vendemos bastante”. Agora elas pretendem conseguir locais públicos para apresentar e comercializar seus trabalhos.

Junto com as extensionistas da Emater, estão também lutando para fortalecer a atividade e atrair novas interessadas ao grupo. Querem criar uma associação ou cooperativa para, formalmente organizadas, conquistarem novos espaços.

Wania Ressutti
Jornalista – SRTE/DRT/RO-959
Fotos: Irene Mendes
Repórter fotográfica – SRTE/DRT/RO-368
EMATER-RO


O artesanato é uma atividade paralela, mas quando me aposentar, quero me dedicar mais.


Mais de 50% da renda vem das vendas dos salgados.




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